top of page

Corredor Ecológico: projeto inicia fase de captação para implantação

27 de out.
4 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

As 20 propriedades participantes serão a base para um projeto estruturante, que pretende criar um círculo virtuoso entre proprietários e atores da restauração ambiental em São Francisco Xavier


A fase de mobilização, sensibilização e adesão dos proprietários rurais para a implantação dos corredores ecológicos de São Francisco Xavier, realizada em parceria com a Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba (ACEVP) e o Instituto Suinã, foi concluída com sucesso. Vinte propriedades selecionadas na área prioritária, entre as bacias do Rio Manso e do Córrego Santa Bárbara, já assinaram as cartas de anuência e os diagnósticos técnicos estão sendo finalizados.


A seleção priorizou propriedades com nascentes desprotegidas e baixa cobertura florestal, que estivessem sobrepostas aos corredores ecológicos projetados, além de grandes áreas sem nascentes, mas com potencial de conexão. O próximo passo é a captação de recursos para viabilizar os plantios, cercamentos e ações de manejo em campo.


Equipe do Instituto Suinã fez vôos de drone para mapear áreas com potencial de regeneração


Mais do que o plantio pontual de árvores ou a recuperação de fragmentos florestais isolados, a implementação dos corredores ecológicos no distrito foi concebida como um projeto estruturante de longo prazo.


A proposta da etapa de implantação é estabelecer processos integrados que deem origem a um ciclo contínuo e replicável de restauração florestal no território, com ações que fortaleçam o ecossistema local e a própria comunidade.  "É um projeto de longo prazo”, conta Antonio Carlos Braga, membro do Conselho Estratégico do Regenera.

“A ideia é criar um processo que se mantenha e crie uma sinergia entre os participantes e atores, gerando um círculo virtuoso da cadeia produtiva da restauração florestal,", explica Antonio Carlos Braga, conselheiro do Regenera. 

Na prática, esse ciclo deverá reunir proprietários, quem produz mudas e insumos, e parceiros locais. O objetivo é consolidar um arranjo integrado no distrito, no qual a conservação da natureza e o desenvolvimento socioeconômico se fortaleçam mutuamente:


  • Diálogo e adequação à realidade local: Cada plano de restauração é pactuado diretamente com o proprietário. As estratégias variam entre regeneração natural assistida, enriquecimento com espécies nativas, sistemas agroflorestais e plantio de mudas. O levantamento abrange ainda diagnósticos de saneamento básico (com recomendação de biodigestores) e ações para o manejo de javalis.

  • Estímulo à Economia Verde: A execução priorizará a aquisição de mudas e insumos de viveiros e produtores do distrito, movimentando a cadeia produtiva local.

  • Resgate genético e coleta de sementes: O projeto se beneficia de um mapeamento que georreferenciou mais de 2.200 árvores nativas no distrito, na primeira etapa ⁠em uma parceria da APA-SFX com a SAVE Brasil e a WWF Brasil e na segunda dentro do Projeto Conexão Mata Atlântica. A coleta a partir dessas matrizes assegura a diversidade e a resiliência das espécies da Mantiqueira.

  • Conectividade e fauna silvestre: A reconexão de fragmentos florestais e matas ciliares restabelece caminhos para a fauna nativa, como o muriqui-do-sul e a jacutinga, permitindo que os próprios animais atuem como dispersores naturais de sementes e agentes do ecossistema.


O diálogo com os proprietários é fundamental para adequar o planejamento da paisagem.


"Além dos resultados locais, a documentação do trabalho gera conhecimento e uma metodologia científica, que poderão ser utilizados em outros projetos e territórios . Além de algo prático, é um trabalho científico de extrema importância, que muitas vezes não é enxergado", destaca Carolina Cassiano, da Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba (ACEVP).


A proteção de nascentes e rios é um dos pilares do projeto.
A proteção de nascentes e rios é um dos pilares do projeto.

Como se chegou até aqui

O desenho dos corredores nasceu do planejamento da paisagem feito pela Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba, organização com sede em São José dos Campos, ativa desde 2009 e com 548 hectares plantados em 19 municípios da região. O estudo, que foi financiado pelo Instituto Agni, pelo Regenera e pela própria ACEVP, cruzou hidrografia, áreas de recarga de aquíferos, erosão, cobertura vegetal e fauna, e hierarquizou as bacias do distrito para indicar por onde começar. 


O levantamento e seleção das propriedades participantes foi viabilizada por uma emenda parlamentar de R$150 mil articulada com a deputada estadual Marina Helou e realizada por uma parceira entre a Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba e o Instituto Suinã, que definiram os critérios de seleção. Cada uma das 20 propriedades participantes passa por análise técnica, que recomenda o tipo de restauração mais adequado, em alinhamento com o proprietário.


Critérios utilizados para selecionar propriedades com potencial de participação
Critérios utilizados para selecionar propriedades com potencial de participação

O que vem agora

Com a adesão e informações das 20 propriedades, será possível orçar a implantação e iniciar a busca de recursos para financiamento. Os proprietários que aderiram e desejarem implantar os corredores com recursos próprios receberão apoio técnico. 


“O desafio agora é a captação de recursos financeiros, embora a oferta de capital para projetos de restauração ambiental tenha aumentado substancialmente nos últimos anos", pontua Braga. “A partir daí, partiremos para a viabilização de uma cadeia produtiva de restauração florestal, com tranquilidade, em um processo de longo prazo, planejado passo a passo", completa.


Nesse ecossistema, o Regenera atua de forma estratégica como articulador e indutor da iniciativa. Assumimos o papel de identificar e conectar organizações que já fazem restauração no território, aproximando proprietários, especialistas, poder público e parceiros financiadores para assegurar que a resposta técnica obtida nos estudos siga se convertendo em paisagem viva, resiliência climática e proteção das nossas florestas e águas.


 
 
bottom of page