Diagnóstico institucional: mapeando os próximos 10 anos com clareza
Atualizado: há 3 dias
Em meio a um território em transformação, o Regenera faz uma pausa estratégica para olhar para dentro e traçar os rumos da próxima década

Quem escolheu São Francisco Xavier como refúgio sabe que a energia da Mantiqueira nos convida a parar, respirar e observar. E é isso que o Regenera decidiu fazer agora. Nem o distrito, nem o mundo são os mesmos de quando a associação nasceu, em 2020. Novos moradores chegaram, as dinâmicas de convivência mudaram e a emergência climática, mais do que nunca, se tornou o centro das nossas atenções.
Com a responsabilidade de quem vem articulando projetos de grande impacto, escolhemos fazer uma pausa estratégica. Longe de significar paramos, esse é um movimento inteligente de expansão: um olhar profundo para o cenário à nossa volta e para dentro, entendendo a personalidade que a associação desenvolveu ao longo dos anos para garantir que nossos próximos passos estejam alinhados ao que o território precisa.
Para conduzir esse mergulho com clareza e embasamento, as pesquisadoras Mari Turato e Juliana Fava, moradoras de São Francisco Xavier, foram convidadas a conduzir um diagnóstico institucional profundo e prático.
"Embora estejamos próximas do Regenera, também temos um certo afastamento e isso traz um olhar amplo, com ideias que vão além do que o próprio Regenera imagina”, diz Juliana.
O estudo investiga três frentes que se cruzam: a identidade que o Regenera construiu nos últimos seis anos, os desafios e potencialidades atuais de São Francisco Xavier e a aplicação prática do conceito de regeneração. "A grande pergunta que estamos colocando é: qual é o potencial de São Francisco como território de regeneração?", pontua a pesquisadora.
Atualmente na fase de transição entre o fim das investigações e o início da análise de dados, o mapeamento foge de debates puramente filosóficos. “A metodologia envolve entrevistas em profundidade com atores locais, poder público, financiadores, especialistas globais e, fundamentalmente, rodas de conversa com a juventude local", explica a psicóloga e pesquisadora Mari Turato.
"Não é um trabalho apenas sobre revisitar propósito do Regenera, tem um caráter pragmático de materialização e execução que é muito importante. É um caminho mais estratégico e prático pois é a partir das escutas que o caminho se desenha", reforça Mari.
Com base na análise das descobertas, será realizado um workshop com representantes participativos do Regenera, para desenhar, além de uma proposta de governança, recomendações práticas que possam orientar a associação pelos próximos dez anos, conectadas às necessidades do território e de seu futuro.
Mais do que definir o que o Regenera deveria ser, a proposta é entender o que já é, o que o território pede e onde colocar energia daqui para frente.



