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Liceu de Artes e Ofícios mira o fim de 2027 para abrir a oficina de marcenaria

25 de out.
4 min de leitura

Atualizado: há 3 dias

Muito mais do que uma escola, o espaço reunirá educação, trabalho, cultura, design, sustentabilidade e desenvolvimento local.


A maior riqueza de São Francisco Xavier está no encontro entre natureza, cultura e pessoas. Em breve, o distrito contará com um espaço que reflete isso em sua máxima potência. Novos passos foram dados em direção à criação do Liceu de Artes e Ofícios, idealizado por Carlos Motta, com o desejo de recuperar e valorizar ofícios tradicionais. Uma propriedade de 15 mil m² foi adquirida pelo designer para a implantação do projeto e a meta é que a oficina de marcenaria esteja em funcionamento no fim de 2027.


Foto: Layla Motta
Foto: Layla Motta

O Liceu oferecerá formações profissionalizantes de marcenaria e, em um segundo momento, metalurgia, couro, entre outras técnicas artesanais, com foco prioritário na população jovem do distrito, mas oferecendo também cursos livres para o público interessado, tanto moradores quanto visitantes. O projeto conecta educação, trabalho, cultura, design, sustentabilidade e desenvolvimento local.


"Um dos pilares do projeto é a escuta da comunidade. Estamos há meses encontrando lideranças de São Francisco Xavier para escutá-los e aprendermos com eles sobre como podemos criar algo em parceria que beneficie a comunidade. Que todos se sintam bem vindos e parte do Instituto. Essa escuta ativa continuará presente ao longo do funcionamento do Instituto."

Trabalho para além do turismo

Hoje, as oportunidades para os jovens do distrito se concentram no turismo e na hospitalidade. O Liceu quer abrir outro caminho, oferecendo formação e trabalho qualificado ligado à economia criativa e à produção local.


O primeiro curso a ser estruturado será o de marcenaria, com 280 horas de formação e certificação oficial. Além do aprendizado de técnicas na prática e a possibilidade de executarem projetos doados por Motta, os alunos terão aulas de desenho para que possam desenvolver suas próprias peças.


Foto: Layla Motta
Foto: Layla Motta

Saber local e sustentabilidade ambiental

A formação também pretende aproximar o conhecimento técnico dos saberes que já existem no território. Os artesãos locais possuem conhecimento empírico profundo sobre materiais, técnicas e processos próprios da região, e esse repertório será incorporado ao projeto. 


Motta, que frequenta São Francisco Xavier há 31 anos, vive no distrito há sete e realizou inúmeros projetos de arquitetura e design por aqui, já contribuiu para a formação de dezenas de profissionais locais e reconhece a qualidade do trabalho dos artesãos da região. “O conhecimento e a tradição local também estarão nos cursos, a ideia é que os objetos feitos no Liceu carreguem a identidade do território", conta ele.


Além disso, alinando-se ao DNA do designer, pretende ser um espaço de encontros, aulas e trocas sobre temas relacionados ao meio-ambiente e estatá aberto a propostas e usos dos espaços com foco em educação ambiental.

Serão utilizados apenas materiais sustentáveis, como madeira de reúso ou resíduos de florestas certificadas. Essa escolha está relacionada a uma visão mais ampla sobre o papel do design diante da emergência climática.  A aposta é desenvolver peças duráveis, de baixo impacto e que atravessem gerações. Mais do que aumentar a vida útil, a ideia é criar objetos capazes de estabelecer vínculos afetivos com quem os utiliza, reduzindo a necessidade de substituição constante e, consequentemente, os ciclos de consumo.


Muito além de uma escola: preservação e compartilhamento de conhecimento

Complementando o espaço educativo, o plano inclui a criação do Instituto Carlos Motta, que reunirá o acervo do designer, com cerca de dois mil desenhos, além de protótipos de móveis e esculturas. 


Também fazem parte do projeto um cinema, biblioteca, restaurante e espaços de convivência. Além disso, haverá uma loja com peças produzidas por artesãos locais e pelos próprios alunos do Liceu.


A proposta é que o espaço não seja apenas um lugar de exposição, mas também um ponto de encontro e produção cultural. As áreas de convivência estarão abertas à comunidade, garantindo que o equipamento tenha uma relação permanente com os moradores e visitantes de São Francisco Xavier, atraindo interessados em design e artesanato, movimentando a economia local e gerando novas oportunidades para quem vive por aqui.


Foto: Layla Motta
Foto: Layla Motta

Um novo olhar para o turismo

Carlos também vê no Instituto e no Liceu uma possibilidade de transformar a relação de São Francisco Xavier com o turismo, incentivando o estabelecimento de uma relação mais profunda entre visitantes e o território.


A proposta dos novos espaços é atrair pessoas interessadas em cultura, arquitetura, design, artesanato e conhecimento. A realização de workshops com designers e profissionais de projeção internacional poderia atrair visitantes de outras regiões e até de outros países, movimentando também restaurantes, pousadas e outros negócios locais.


A programação cultural teria ainda o potencial de distribuir melhor esse fluxo ao longo do ano, reduzindo a concentração do turismo nos períodos de maior movimento, especialmente durante o inverno.


Próximos passos

Ainda há desafios de financiamento e construção pela frente, mas o projeto segue avançando. A Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza), programa social de São José dos Campos, voltado ao desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens e mantido pela Prefeitura, já confirmou seu apoio à criação do Liceu de Artes e Ofícios, colaborando na busca de recursos. O Regenera acompanha a articulação.


O Instituto Carlos Motta tem o propósito de democratizar o acesso ao acervo desenvolvido ao longo da vida profissional do designer. É um projeto familiar, com projeto autoral e está aberto a parcerias e apoio de pessoas, empresas e entidades interessadas em apoiar a cultura.




 
 
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